Governo promete votar a “reforma” da Previdência ano que vem

Governo promete votar a “reforma” da Previdência ano que vem

 

Trabalhadores precisam manter a vigília e pressionar parlamentares a não votarem a favor da reforma

A proposta de reforma da Previdência tem consequências muito mais profundas e dramáticas do que o trabalhador pode imaginar. Trata-se de uma verdadeira transformação na forma como a sociedade brasileira decide se organizar a partir da Constituição Cidadã de 1988. Em resumo, pretende-se acabar com uma organização social em que todos, e com o amparo do Estado, se responsabilizam por garantias mínimas de vida, inclusive e principalmente em momentos mais delicados, como na velhice.

O termo “reforma” nem se quer é adequado para a proposta do governo Temer. O que se pretende é o fim da previdência pública, quase a sua destruição, na medida em que estão propostos pré-requisitos tão rígidos e descolados da realidade brasileira que, se aprovada a proposta, a aposentadoria no Brasil passaria a ser uma ilusão, um alvo inatingível para a grande maioria da população.

 

As instituições financeiras serão beneficiadas. Apenas o anúncio da proposta de reforma da previdência já gerou resultados expressivos para os bancos, na medida em que já embutiu nas pessoas o temor do esvaziamento da previdência pública e aumentou a tendência de compra de planos de previdência privada, como alternativa.

Por exemplo, pelas regras atuais, uma bancária que se aposente por idade aos 60 anos com 15 anos de contribuição receberá na aposentadoria 85% do seu salário de benefício. Ou, caso essa mesma bancária contribua por 25 anos irá se aposentar com 100% do salário de benefício pela  regra 85/95. A proposta do governo Temer faz com que essa mesma bancaria não possa mais se aposentar aos 60 anos de idade, mas apenas aos 62 anos e se tiver 15 anos de contribuição irá receber apenas 60% do salário de benefício, um valor muito inferior às regras atuais.

“Diante desse cenário, precisamos fazer uma reflexão dos motivos que levam um governo a propor a quase destruição de um sistema de seguridade social tão importante para dezenas de milhões de pessoas e quem ganha com essa proposta”, questiona Ivone Silva, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região.

 

É bom lembrar que em 2012 quando o então governo Dilma tentou reduzir as taxas de juros no Brasil para incentivar o crédito, representantes de bancos disseram que o crédito tinha pouco espaço para crescer e que os resultados destas instituições financeiras passariam a ser cada vez mais apoiados nas áreas de seguros e previdência privada. Este sim um “mercado” altamente promissor na visão dos banqueiros. Para que os bancos possam ocupar esse “mercado” e ampliar a venda de previdência privada é preciso destruir a previdência pública, reduzir drasticamente seu valor, tornar as regras de acesso praticamente impossíveis de serem atingidas e fazer as pessoas desacreditarem do sistema. Só assim, totalmente desamparadas elas se sentirão encorajadas a consumir planos de previdência privada.

 

Em um país em que quase 60% da população economicamente ativa têm renda de até dois salários mínimos e mais 11% não tem rendimento, quantas pessoas terão condições de poupar recursos para investir em planos de previdência privada? Quantas estarão sem nenhuma proteção

na velhice? A solidariedade é um valor que nos guia e a hora de nos mobilizarmos contra a proposta de destruição da previdência pública é agora, ou então em breve veremos mais alguns bilhões de reais entrando nos cofres dos bancos a custa de muitos milhões de pessoas em situação de pobreza no país.

A previdência social é um instrumento importante de bem-estar da população brasileira e temos que lutar por mecanismos que reforcem a seguridade social no Brasil e reduzam as desigualdades.

Os parlamentares sabem que, se votarem a favor da retirada de direitos na previdência social, não se elegem nunca mais! Vamos manter nossa pressão e vigília, com mobilização caso mantenham a votação.

Entre no site Na Pressão (https://napressao.org.br/campanha/reforma-da-previdencia) e veja quem são os deputados traidores dos trabalhadores. Envie e-mails, cobre!

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