Depois do desmonte trabalhista, querem pegar sua aposentadoria!

Depois do desmonte trabalhista, querem pegar sua aposentadoria!

O Congresso Nacional voltou do recesso no mês de agosto e o desmonte da Previdência, previsto na Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, volta a ameaçar a aposentadoria dos brasileiros e brasileiras. A medida do governo Temer foi aprovada em comissão especial e está pronta para ser votada no plenário da Câmara dos Deputados. O presidente da Casa e aliado de Temer, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já avisou que quer pautar a votação com rapidez.

“Mais do que nunca é necessário que bancários e bancárias e os trabalhadores em geral pressionem os parlamentares para que votem contra esse verdadeiro desmonte da Previdência pública, que vai fazer com que os brasileiros morram sem ter o direito de se aposentar”, diz

a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, Ivone Silva, que orienta os trabalhadores a mandarem e-mails para os deputados avisando que se votarem a favor da PEC 287, eles nunca mais serão eleitos. Isso é mais fácil e rápido pela ferramenta Na pressão (napressao.org.br).

Previdência não é deficitária – Para justificar o fim da aposentadoria pública no país, o governo Temer e seus aliados, entre eles a mídia tradicional, afirmam que a Previdência tem déficit. Economistas e especialistas em Direito Previdenciário já apontaram que as contas do governo partem de dados falsos.

Até mesmo a CPI da Previdência, no Senado, aponta superávit. Após um semestre de trabalho, o presidente da CPI, senador Paulo Paim (PT-RS), concluiu que o governo forja um resultado negativo nas contas para justificar a reforma. O senador também ressaltou que, apesar de alegar déficit bilionário, o governo não pune quem comete crimes contra a Previdência, como sonegação e apropriação indébita.

A presidenta do Sindicato lembra que os bancos estão entre os maiores devedores do sistema previdenciário, com uma dívida que ultrapassa R$ 124 bilhões, segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda. “Enquanto quer acabar com a aposentadoria de milhões de trabalhadores, o governo Temer, através do Carf, perdoou dívida de R$ 25 bilhões do Itaú e outra do Santander, de R$ 388 milhões”, denuncia Ivone. “Não podemos deixar que eles acabem com nossa aposentadoria. Temos de nos mobilizar e pressionar”, reforça.

 

Pesquisa mostra que “reforma trabalhista” é uma farsa

Os argumentos do governo de que a “reforma trabalhista” seria boa para os trabalhadores e geraria empregos não convenceu a população em nenhuma região do Brasil, independentemente do gênero, renda, escolaridade ou faixa etária.

Para 57% dos brasileiros, o desmonte da CLT só é bom para os patrões. Outros 72% afirmam que o desemprego vai aumentar e 14% que vai continuar como está, ou seja, batendo recordes negativos – de acordo com a última pesquisa do IBGE, já são mais de 13,5 milhões de desempregados no país.

De um universo de 1.999 entrevistados na última rodada da CUT-Vox Populi, apenas 3% consideram a reforma boa para os empregados. Outros 15% acham que não é boa para ninguém, 12% que é boa para ambos e 14% não souberam ou não quiseram responder.

A maior rejeição à “reforma trabalhista” de Temer, que altera mais de cem pontos da CLT e deve entrar em vigor em novembro, foi constatada no Nordeste. Para 63% dos nordestinos, a nova lei vai beneficiar apenas os patrões. Entre os homens, o índice chega a 58%. Houve empate, entre os adultos, pessoas com ensino superior e que ganham até dois salários mínimos, houve empate: 59%.

Para o presidente da CUT, Vagner Freitas, os percentuais de reprovação só não ultrapassaram os 90% porque os trabalhadores ainda não sabem que, com as novas regras, Temer institucionalizou o bico, acabou com a carteira assinada e deu segurança jurídica para os patrões fazerem o que bem entenderem.

“O governo e o Congresso Nacional esconderam dos trabalhadores que a reforma acaba com garantias incluídas na CLT. Disseram apenas que geraria empregos. O que não é verdade. Não disseram, por exemplo, que os empregos decentes serão substituídos por empregos precários, com salários mais baixos e sem benefícios, entre tantas outras desgraças previstas na nova lei trabalhista”, argumenta Vagner.

 

Negociar sozinho

A pesquisa CUT/Vox Populi quis saber a opinião dos trabalhadores sobre um item da reforma que prevê a negociação individual entre patrão e empregado, sem a participação do sindicato, de itens como, jornada, salários, férias e até demissão.

Entre ruim (60%) e regular (7%), a mudança que prevê essa negociação entre desiguais foi reprovada por 67% dos entrevistados. Outros 13% consideraram a mudança ótima ou boa e 11% não souberam ou não quiseram responder.

As piores avaliações sobre a negociação individual foram feitas no Nordeste (63%), pelas mulheres (62%), entre os adultos (62%), quem tem até o ensino fundamental e o superior, ambos com 60% de reprovação à mudança; e até 2 salários mínimos (62%).

 

Grávidas em ambientes insalubres

A liberação do trabalho de mulheres grávidas em ambientes insalubres, desde que apresentem atestado médico, outra medida da nova lei trabalhista, foi considerada boa para os patrões por 51% dos entrevistados. Só 6% consideram a medida boa para as trabalhadoras; 11% acham que será bom para ambos; 18% dizem que não será bom para ninguém; e 14% não souberam ou não quiseram responder.

Os trabalhadores do Nordeste, mais uma vez, são os mais críticos à medida: 58% acham que a nova regra será boa para os patrões, 8% para os empregados e 11% para ninguém. É o que pensam também 51% dos homens, 50% das mulheres, 52% dos adultos, 50% dos que estudarem até o ensino fundamental, 52% ensino médio e 51% ensino superior. A maior rejeição é entre os que ganham até 5 salários mínimos, 54% acham que a medida vai beneficiar os patrões.

A pesquisa CUT/Vox Populi, realizada nos dias 29 e 31 de julho, entrevistou 1999 pessoas com mais de 16 anos, em 118 municípios, em áreas urbanas e rurais de todos os estados e do Distrito Federal, em capitais, regiões metropolitanas e no interior. A margem de erro é de 2,2 %, estimada em um intervalo de confiança de 95%.

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