Caixa Cultural relembra oito décadas de J. Borges, o xilogravurista pernambucano.

Caixa Cultural relembra oito décadas de J. Borges, o xilogravurista pernambucano.

Um dos patrimônios vivos da cultura brasileira, o artista é homenageado em exposição que chega a São Paulo depois de passar por Salvador e Recife, com curadoria de José Carlos Viana e Marcelle Farias

 

Até 7 de maio, os paulistanos podem conhecer um pouco do trabalho do artista, pela exposição “J. Borges 80 anos”, na Caixa Cultural São Paulo. Trata-se de uma homenagem ao “melhor gravador popular do Brasil”, de acordo com o escritor Ariano Suassuna (1927-2014). A exposição apresenta uma coletânea de 30 xilogravuras e suas matrizes, sendo dez inéditas. A entrada é gratuita, e a programação também conta com uma oficina de xilogravura, que será realizada nos dias 18 e 19 de abril.

 

Autor de folhetos de cordel como “O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina” e “O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm” – este último, o primeiro que também foi xilografado por ele. J. Borges completou oito décadas em dezembro de 2015 e a exposição surgiu para homenagear sua trajetória. Com curadoria de José Carlos Viana e Marcelle Farias, a mostra tem uma coletânea de dez xilogravuras inéditas, cujos temas retratam diversas fases de sua trajetória. São elas: “No Tempo da Minha Infância”, “Na Minha Adolescência”, “Vendendo Bolas Dançando e Bebendo”, “Serviços do Campo”, “Cantando Cordel”, “Plantio de Algodão”, “A vida na Mata”, “Plantio e Corte de Cana”, “Forró Nordestino” e “Viagens a Trabalho e Negócios”.

 

A mostra exibe ainda xilogravuras que notabilizam a jornada artística de Borges. Obras assinadas pelos filhos do artista – Pablo e Bacaro Borges – também são destaques. Um espaço dedicado à literatura de cordel permite um verdadeiro mergulho na poesia popular de J. Borges, na qual ele versa com genialidade os acontecimentos, fatos políticos, lendários, folclóricos ou pitorescos da vida como ela é. Na programação também está inclusa uma cinebiografia do artista. “Estou muito alegre com essa exposição sobre os meus 80 anos. Eu ainda quero viver bastante. O que me inspira é a vida, é a continuação, é o movimento. É aquilo que eu vejo, aquilo que eu sinto”.

 

Oficina

Nos dias 18 e 19 de abril serão oferecidas oficinas gratuitas de xilogravura, ministradas por Bacaro Borges, que também é filho do artista. Trata-se de uma excelente oportunidade para aprender essa técnica milenar. A atividade é voltada a estudantes e pessoas interessadas na arte da xilogravura, a partir dos 14 anos. As inscrições podem ser feitas na Caixa Cultural São Paulo.

 

Sobre o artista

Nascido em 1935, filho de agricultores, trabalhou desde os dez anos na lida do campo, em Bezerros, onde vive e trabalha até hoje. É Patrimônio Vivo de Pernambuco, título concedido pelo Estado aos mestres da cultura popular pernambucana, reconhecidos como patrimônio imaterial. O gosto pela poesia o fez encontrar nos folhetos de cordel um substituto para os livros escolares. “Eu me criei no sítio e a única informação era dada pelo cordel que meu pai comprava na feira pra gente ler. Era o jornalismo nosso”, revela Borges.

 

Ele fez sua primeira publicação, em 1964: “O encontro de dois vaqueiros no Sertão de Petrolina”, xilogravada por Mestre Dila, que vendeu mais de cinco mil exemplares em dois meses. Animado com o resultado, escreveu o segundo cordel, intitulado “O Verdadeiro Aviso de Frei Damião Sobre os Castigos que Vêm”, que o conduziu pela primeira vez à xilogravura. Sem dinheiro para pagar um ilustrador, resolveu ele mesmo entalhar na madeira a fachada da igreja de Bezerros, usada no seu segundo folheto. Desde então não parou mais de fazer matrizes por encomenda e também para ilustrar as centenas de cordéis que lançou ao longo da vida.

 

  1. Borges desenha direto na madeira, equilibrando cheios e vazios com maestria, sem a produção de esboços, estudos ou rascunhos. O título é o mote para Borges criar o desenho, no qual as narrativas próprias do cordel têm seu espaço na expressiva imagem da gravura. Descoberto, há décadas, por marchands e colecionadores, seu trabalho ganhou imensa visibilidade sendo reconhecido internacionalmente, com exposições em países como França, Espanha, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha e Suíça.

 

A originalidade, irreverência e personagens imaginários são notáveis nas suas obras. Os temas mais populares em seu repertório são: o cotidiano da vida simples do campo, o cangaço, o amor, os castigos do céu, os mistérios, os milagres, crimes e corrupção, os folguedos populares, a religiosidade, a picardia, enfim todo o rico universo cultural do povo nordestino.

 

Serviço:
Exposição J. Borges – 80 Anos”
CAIXA Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111.
Visitação: 12 de março a 7 de maio de 2017
Horário: 9h às 19h (terça a domingo)
Informações: (11) 3321-4400
Classificação Livre
Entrada franca
Acesso para pessoas com deficiência
Patrocínio: Caixa Econômica Federal

 

Oficina: Xilogravura – Bacaro Borges
Data: 18 e 19 de abril (terça e quarta), uma turma por dia
Capacidade: 25 vagas cada turma
Duração: 3 horas
Público-alvo: estudantes e interessados na arte da xilogravura,
a partir dos 14 anos
Informações/inscrições: (11) 3321-4400

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