Manifesto do Coletivo ORIENTE-SE no Brasil, pela Igualdade Étnica.

Nós, artistas e profissionais das artes com ascendência oriental, seja japonesa, chinesa ou coreana, reivindicamos por igualdade no tratamento justo a todos os cidadãos, repudiando práticas de discriminação étnica que ocorrem em algumas produções de audiovisual, ao retratarem o oriental de forma estereotipada, preconceituosa e distorcida da realidade. Em especial as produções populares de rede aberta de televisão, como novelas, seriados e comerciais, que atingem a maioria dos cidadãos brasileiros, influenciando-os diretamente, e, às vezes, promovendo conceitos negativos, que depreciam a imagem dos orientais e educam as novas gerações com visão preconceituosa contra a nossa comunidade.

Somos parte integrante da sociedade brasileira, nascemos, vivemos e contribuímos com muito trabalho para o enriquecimento e desenvolvimento de nossa nação. Ter a presença de atores e artistas orientais em produções de audiovisual, em papéis não estereotipados e de forma respeitosa, é justo – e o mínimo – que a comunidade oriental-brasileira merece em retribuição e gratidão por mais de um século de história em terras brasileiras. Somos brasileiros e exigimos respeito para com todos, independentemente de sua ascendência. A diversidade étnica, social e/ou de gênero é fundamental e necessária para o crescimento de qualquer cidadão.

Entendemos que, frente às desigualdades existentes, não basta rejeitar as práticas de discriminação, mas sim realizar ações que possam corrigir distorções e aproximar indivíduos. É responsabilidade de cada um de nós brasileiros, promover a igualdade no cotidiano, através de nossos atos, trabalho e posturas. É de extrema importância que os profissionais atuantes diretamente na concepção e produção de obras de audiovisual, tenham a consciência de que a sua criação pode influenciar positivamente a nossa sociedade e difundir a diversidade. Cabe também a nós, artistas orientais-brasileiros, fomentar a imagem positiva de nossa comunidade, através de nosso trabalho artístico, para que as futuras gerações possam se olhar com a autoestima de um cidadão brasileiro pertencente a esta nação.

São Paulo, 31 de agosto de 2016.

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